quarta-feira, 30 de maio de 2012

Ainda nisso, óbvio.

19 meses são mais ou menos 570 dias. Por extenso, parece pior: quinhentos e setenta dias. 

Em vinte dias, são 365 dias vividos desde que saí do lugar que amo e vim pro buraco. é tudo isso mais duzentos e dez dias de novo até eu ir embora definitivamente. 

Sério, eu nunca vou aguentar.

Mais e ainda ainda ainda ainda 19 meses de Brasil.

Minha qualidade de vida, se eu morasse perto da UFRGS, aumentaria em 75%.

Minha qualidade de vida quando eu morar a um continente de distância da UFRGS vai aumentar em 654527384092897653028329'2%.

Brasil, ame-o e lute por ele, ou deixe-o. E lutar todos os dias seis lutas diferentes me cansa. Não há amor que resista. 

domingo, 27 de maio de 2012

Quanta hipocrisia!

Nos estupram e ainda chamam de vadias! 

Assim eu resumiria a marcha das vadias de hoje. Um combate a céu aberto, a sutiã aberto, a sorriso aberto e garganta mais ainda, contra a hipocrisia. Contra um peso e duas medidas tão fatalmente assimétricas. Fatalmente no sentido mais cru da palavra: as mulheres morrem. Morrem porque são mortas, morrem pela metade porque são estupradas, morrem porque não há aborto, morrem porque na morte, finalmente, somos iguais. Mentira, um homem assassinado, exceto se pobre e negro, tem a cortesia última de ser vítima de seu assassinato. Nós não temos nem isso. Somos culpadas de tudo que nos acontece. A vagina é onde reside toda a culpa humana. 

Mas hoje não consigo explorar a tristeza do ser mulher, porque há tempos não me sentia tão bem. Há tempos não presenciava tanta força, tanta voz junta, tantos peitos e ainda mais corações, tanto protesto e tanta poesia, tanta energia, tanta criatividade, tanto pulmão. Foi a passeata mais bonita que já fui em Porto Alegre.

Porque foi uma passeata que não tratava de problemas que nos concernem, mas não nos tocam. Foi uma passeata contra algo mais doído, uma passeata contra o cotidiano. E o cotidiano é mais difícil de mudar que o novo Código Ambiental. Porque o cotidiano é todo dia, é toda hora, o cotidiano a gente não pode vetar com um canetaço, não. Tem de ser aos pouquinhos, sutiã por sutiã. Mas às vezes, às vezes a gente pode acelerar o processo e andar uma ao lado da outra, e foi isso que fizemos. A participação foi intensa, homens e mulheres reivindicando igualdade de direitos e de calçada. Igualdade de direitos é não ser discriminada, é não ganhar menos por ser mulher, é não sofrer violência por ser mulher. Igualdade de calçada é caminhar à noite, é não sentir medo, é não precisar ser feminista e passar por aquela situação desconfortável de pedir para um homem te acompanhar até o carro, e não no bom sentido, mas por medo. Igualdade de calçada é ter no mínimo o consolo de ser vítima da violência sofrida, e não algoz do próprio estupro.

E ali estávamos, reivindicando um pouco de cada coisa, que no fim era a mesma coisa, que no fim era que fosse a mesma coisa para todos. E, modéstia à parte, reivindicamos tão bem. E com tantas cores! E com tantas letras! E tantos cartazes, e tantos corpos, e tantas fotos, e tanta luta! Por que alguém nos quereria menos, depois de nos ver assim, tantas e tão fortes? Como alguém não sentiria uma pontinha de cautela ao tentar nos tirar direitos, ao tentar nos tirar nossos úteros, ao ver como somos tantas unidas assim? 

A passeata foi pacífica, sempre será, mas que deixe também aquele recado paralelo, aquele tonzinho de ameaça: somos muitas e fazemos muito barulho. Não precisamos nem de sutiãs para irmos à luta. Pensem nisso antes de vir com seus machismos.

Afinal, vocês vieram todos de nosso útero. E continuam saindo dele todas as manhãs.

sábado, 26 de maio de 2012

Marcha, vadia, marcha!

Amanhã vou ser vadia para ser mais livre todos os outros dias.

Amanhã vou ser vadia porque sempre me mandaram cruzar as pernas.

É que a mulher não senta quando senta, se esconde tudo que dá.

Amanhã vou ser vadia porque o rosa não me representa e o azul não me antagoniza.

Amanhã vou ser vadia porque sempre preferi o arco-íris.

Amanhã vou ser vadia porque amo transar.

Amanhã vou ser vadia porque me espanta o número de caras que não tem noção do que seja um clitóris.

Ou de como lidar com uma vagina.

Amanhã vou ser vadia porque aprendi que devo manter minha voz e meu peso baixos, o mais baixo que puder.

Amanhã vou ser vadia porque nunca consegui nenhum dos dois.

Amanhã vou ser vadia porque ouvi milhares de vezes que a gente tem de ser flexível, quando disse que preferia ficar sozinha a ter um namorado machista.

Amanhã vou ser vadia porque jamais ouvi alguém dizer pra um homem que ele tem de ser flexível com o meu feminismo.

Amanhã vou ser vadia porque já me acusaram de não ter um coração porque ele não se interessa por gente que não me vê como igual.

Amanhã vou ser vadia porque já me falaram que eu odeio os homens, porque não vou ficar quieta e sorrir na frente da misoginia.

Amanhã vou ser vadia porque nunca ouvi falar em paternidade natural, já as mulheres são execradas se dizem que não querem ter filhos.

Amanhã vou ser vadia porque não tenho tempo de fazer as unhas todas as semanas. Mentira, tenho tempo, não tenho vontade.

Amanhã vou ser vadia porque não vou ganhar 30% menos do que ninguém se não for por mérito meu.

Amanhã vou ser vadia porque não quero ser espancada em uma parada de ônibus se alguém achar que sou puta.

Amanhã vou ser vadia porque não quero ser estuprada e levar a culpa

Apanhar e levar a culpa

Engravidar e levar a culpa

Amanhã vou ser vadia porque não levo mais a culpa pra lugar algum.

Amanhã vou ser vadia para que ninguém mais me diga como ser mulher.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Respondo "tudo bem" e penso hahahah enganei eles! mas o sorriso não vem mais.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Neverland.

Tiros tiros tiros tiros tiros tiros

Um só, bem colocado, o revólver dentro da boca. Eu, podre e obesa, e vai ser o gosto do revólver o último na minha boca. Nem o sangue vou sentir. Meu rosto vai ficar completamente desconfigurado. Poucas pessoas notariam a diferença. Um rosto sem vida finalmente sem vida. 

E então o silêncio. O nada. O nada maravilhoso do nunca mais. Nunca mais acordar, nunca mais ter tantos dias ruins, tantos dias, tantos dias, tantos dias e tão pouco bem. Nunca mais sentir que nunca vai dar, nunca mais sentir o gosto tão familiar do fracasso, essa derrota que começa às seis da manhã e não vai embora nunca. Essa tristeza infinita de se estar sempre longe do que se ama, sempre longe, sempre longe, merda, sempre longe. Essa torpeza de nunca sair da cama a menos que absolutamente necessário, nunca sair de casa a menos que absolutamente necessário, nunca sair do lugar nenhum em que se vive. O choro cavando fundo na pele. As pessoas comentando "como teu olho anda verde" e não posso dizer que fica verde quando choro, e chorar é tudo que tenho feito. Verde, e já apodrecido. Verde, e já vencido. Verde, e já sem mais nada pra ver. Já nasci míope porque o destino sabia que eu não veria longe. Que eu não viveria longe. Que ver as coisas devagar e com dificuldade é o único jeito como sei enxergar.

Escuros, salas escuras, portas escuras, falas escuras. Não reconheço mais o sol, ainda que viesse e batesse forte contra meu rosto estúpido, e do solo me desse um soco de sol na cara, para deixar ainda mais evidente essas olheiras, esses cravos, esse descontentamento sem fim, não o reconheceria.

Um fim, só um fim, e esbarro de novo na porra da minha covardia.   Claro que uma hora vai dar, uma hora vai ter de dar, infelicidade não pode ser tão paralisante assim, ou nenhum filósofo jamais teria escrito merda alguma.

Se eu pudesse ao menos, ao menos, ao menos. Ao menos é meu objetivo máximo de vida. O único que não abandonei. Não, não é mais um sonho ou objetivo. É, como tudo que faço, uma derrota prévia - que ao menos, entre todas as outras tantas coisas que jamais vão me acontecer porque sou assim mesmo, inacontecida, que ao menos isso. Que ao menos algo, que ao menos algo, que carrego a pressa antiga dos vencidos.

domingo, 20 de maio de 2012

Eleição.

Um minuto de silêncio por tudo que já dissemos. Tu me olha estranho, mais um ritual. Como um templo, sou cheia de mentiras e expressões em latim. Também tenho meus seguidores fanáticos. Tu tem ciúmes de todos eles; eu, desprezo.

Acho que tu nunca percebeu, mas há quatro anos, naquele dia em que nos falamos pela primeira vez, fui eu. Com cara de ingênua, levemente perdida, coloquei a mão bem suave no teu braço e perguntei alguma coisa qualquer. Continuamos a conversa e umas horas depois, quando tu me beijou na beira da praia, soube que tu nem desconfiava que desde o início fora eu. Eu te escolhi.

Depois, quando tu foi embora, continuei te escolhendo. Em cada festa em que fui e não estava, em cada viagem que fui sem ti, em cada congresso em que não achava teu nome entre a lista de participantes, ainda assim te escolhia.

Pelos últimos quatro anos, te escolhi a cada dia.

E tu sabe bem que detesto escolher. Mas o que nunca te disse é que, quando escolho, escolho bem e uma vez só.

Pelos próximos cinquenta anos, ainda vou escolher você.

Porque te vejo sorrir e escolho você.

Te vejo fatiando o pão e escolho você.

Te vejo escovando os dentes e escolho você.

Te vejo dormir e escolho você.

Te vejo temperando a salada e escolho você.

Ouço tua voz se desculpando pelo atraso e escolho você.

Mas, por favor, tenta não se atrasar tanto assim. Já esperei dois anos por ti. Cada minuto de espera é, no fim, dois anos e um minuto, dois anos e dois minutos, e os anos são tão tristes sem ti.

E quando não voltares, escolherei você.

Quando escolher outro, estarei escolhendo você.

Quando desistir de escolher, de novo escolhi você.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Longe da estrada, a rua.

Eu, que pensei tantas vezes que fosse queimar inteiro de amor, que tinha justamente tatuado burn, burn, burn! nas costas, contigo, cada um tatuou em um canto do corpo, porque nosso corpo é isso, somos quatro braços e um mapa de artérias, ductos, conexões. Chego em ti com meus dedos nos teus. 

Sair de ti, não sei. Jamais me pergunte como. 

É Kerouac, te disse, na primeira vez que te li o parágrafo junto, no meu inglês de sotaque britânico, três anos trabalhando em Londres, onde amar era normal, onde eu poderia andar contigo de mãos-dadas e todos os nossos planos de piquenique não envolveriam os gritos, as provocações, essa maneira debochada e dolorida que os brasileiros têm de nos dizer que aqui nunca vai ser nosso lugar. 

People who never say a common place thing, people who burn, burn, burn! proclamava Kerouac. E no meio dessa gente, eu te encontrei. Tu me disse, naquele primeiro dia, que Foucault tinha feito uma análise burguesa heterossexual da sexualidade, que os estudos pós-coloniais não podiam se focar em análises feitas por um branco intelectualizado na França sobre a França. Me contou de Spivak e de como era necessária uma ruptura da própria cognição de conhecimento, até agora feita pelas letras, pelos livros, pelos valores de intelectuais europeizados da academia. Depois eu entendi. Na hora, estava magnetizado demais pela dança das tuas mãos enquanto discursava. Pela expressividade dos teus olhos e pela compressão perfeita dos teus lábios enquanto planejava a próxima frase. Eu sabia que tu queimava, já ali, há seis anos de hoje, eu sabia que Kerouac saberia também. Eu me inflamava junto. Eu, carvão, teus ombros. Eu, petiço, tuas pernas, Eu, álcool, teu pescoço. Era a fagulha, desde a tua primeira iconoclastia eu sabia que era fagulha que me faltava para que eu inflamasse também. Putz, eu idolatrava Foucault. Mas Kerouac não, Kerouac tu não tirou de mim, embora houvesse sempre o sarro com meu sotaque de bicha fina, como tu dizia, e eu prometia que tu ia falar assim também um dia, quando nós dois morássemos em Londres, onde, te prometi, estaríamos a salvo de tudo isso. 

Então quando os três vieram caminhando na mesma calçada, não tive medo: éramos humanos na rua. Pensava em ti, que bobo, passava o dia pensando em ti, naquele sonho que tu tinha me contado que tivera, um tiro seco e milhões de pássaros coloridos que irrompiam no céu, surgiam em todas as cores e formas, e iam se afastando, se afastando, se afastando, e aí o céu ficava vazio e tu começava a chorar, até que um pássaro, avermelhado, estonteante, voltava e pousava nas tuas mãos. E assim, acordava. Acordava ao meu lado. Por tantos anos. Tantos sonos, tantos sonhos, tantos roubos de travesseiro e brigas por cobertas tinham me trazido até ali, até aquela rua, até aquela hora em que eu pensava em ti, no pássaro avermelhado e naquela pinta atrás do teu calcanhar, como eu nunca tinha visto ela? 

Nem percebi quando o primeiro me chamou de viado e me deu um soco. Os pontapés que se seguiram iam quebrando fundo cada parte de mim. Riam. Gritavam. Todas as dores que eu já sentira pareciam cócegas. A dor era interminável a cada segundo. Respirar pelo nariz quebrado e pela boca esgaçada era difícil. O ar ardia para entrar nos pulmões. 

Amarraram minhas mãos, como se precisasse, eu já não conseguia me movimentar. Foram atirando álcool em mim e como se divertiam! Quando o isqueiro tocou meu corpo, eu pensei que o medo ia me fazer desmaiar. Mas, infelizmente, não fez. 

Eu, que ardia de amor, eu, que achava o amor queimava, descobri que ia morrer queimado de ódio. Queimado porque três garotos tinham grana dos pais e estavam entediados. No pouco de voz, eu gritava e eles entravam em êxtase: grita, viado! grita, viado! morre, viado! queima, viado. Como sempre no Brasil, eu obedeci. Eu queimei. Era brincadeira. Só podia ser brincadeira. Homofobia no Brasil sempre é brincadeira. 

Nada aconteceria aos jovens, nunca aconteceu, esta semana, lembro de ter visto no Facebook, a Brigada Militar espancou um homosexual em Caxias. Imaginei que minha notícia, se existisse, seria assim: homosexual morto. Nunca li uma notícia de “heterosexual morto”. Homosexual morto, não homem homosexual morto. O jornalista que me reportaria também não me consideraria humano. Eu não era homem nas ruas, eu não era homem nos jornais, mas ali eu estava, morrendo como homem. O que te aconteceria sem mim? O que nos aconteceria, a todos nós, sem direitos?

***

Muito mais incrível do que isso, Andrea Gibson: http://www.youtube.com/watch?v=F7hUrTybO2M

sábado, 5 de maio de 2012

Segundo outono longe de casa.



No fim da vontade, a farsa. Se concede que o afogado pare de tentar vir à superfície de vez logo depois do último fôlego. Não é assim. É devagar. O afogado começa a perceber que todo seu esforço é em vão. Que todo esforço que ainda faça será em vão. Que ser em vão é o único modo de ser do oceano.

Para mim, foram dois respirares. Respirar debaixo da voz que me esbofeteia e me humilha e depois respirar com a voz que me disse chega de ser estúpida, isso nunca vai dar certo. Nunca dar certo é o jeito das coisas acontecerem para mim.

Aí vi que me debater para sobreviver era tão estúpido quanto o mar formar ondas para conseguir voar. Então acabou, sem ninguém perceber, a vida acabou como as coisas se acabam antes de terminarem na geladeira. É só com o cheiro, é só bem depois, com o cheiro, que se verá que por dentro eu estava podre, estava vencida, onze meses vencida.

Parar de se debater não traz angústia, mas uma tranquilidade triste. No último ano, foi o mais perto que cheguei de paz. Antes pensava em me afogar e a ideia me fazia me debater mais forte para jamais pensar em me afogar de novo. E agora, depois de tomar fundo o último e inconstante fôlego, a ideia de não subir mais para respirar me faz bem. É a primeira coisa que me faz bem aqui, no meio do oceano, tão longe do continente.

A água é gelada como todas as águas que levam embora. A ideia de que em poucos segundos não vou mais estar ali, mas ser parte constituinte daquilo, dá o que há onze meses eu chamaria de prazer. Agora não tem mais nome ou sentido.

Finalmente entendi que não serve de nada tentar nadar pra ilha que fica um pouco mais perto do continente. Só ele pode me salvar. O resto não faz diferença. E nele não chego, não importa quanto nade, nele não se chega quando se precisa nadar tanto assim para se movimentar tão pouco.

O continente é para quem tem navios, não braços. Para quem tem futuro, não esperança. Eu tive um dia, e não me serviu. E precisei lutar, entenda, estou há onze meses no meio do oceano, lutar onze meses para entender que não existe esperança para os que não têm futuro.

Um dia tentei falar. Estava tão cansada de me debater sozinha que resolvi contar pra gaivota, que a essa altura já inventava gaivotas. Me disse que era tudo minha culpa, que eu tinha criado o oceano, que eu criava todos os dias o oceano para entristecer as praias.

Era óbvio que a gaivota não podia entender o coração lento de uma pessoa cansada. Eu lembrava vagamente de amigos, tentava sentir algum afeto, mas na ausência de qualquer sentimento, lembrava de como era ter afeto e imitava, pensando que gostava de um e de outro. Ninguém demonstra afeto pensando que está demonstrando afeto o tempo todo. Como eu o fazia, minha demonstração de afeto que não existia mais era mais fidedigna que todos os afetos verídicos do mundo que não alcançava mais. Eu me convencia dele.

Me debatia pensando em pessoas, e nem eu nem elas sabíamos mais das nossas existências recíprocas. Eu me debatia, e de longe elas comentavam entre si que no fundo sabia nadar, mas não queria. No fundo, preferia me debater. Era uma questão de escolha. Achava engraçado e triste que há muito tempo outras pessoas acusavam elas de escolhas que nunca existiram e eu, sem supor que um tempo depois estaria me debatendo e, agora, deixando de me debater, gritava em terra firme que algumas escolhas não existem. A minha eles podiam ver.

Mas não esta. Esta é uma escolha silenciosa, sem gestos grandiloquentes. É assim que sei que é a escolha que finalmente importa. Não, nunca foi uma escolha, mas a falta última de uma. É como sei que mudou, porque penso em parar de me debater e não choro como antes, apenas fico em um lugar distante e próximo da calma que só envelhecer pode trazer. Ou desistir de fazê-lo.